A Casa de Cultura do Parque inaugura neste sábado (2) seu II Ciclo Expositivo, que reúne mostras que convidam a novas propostas sobre matéria, palavra, ancestralidade e sincretismo. A programação segue até o dia 2 de novembro no espaço localizado em Alto de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.
Entre as exposições que fazem parte do Ciclo está a coletiva “Palavra e gesto“, com texto crítico de Camila Bechelany. A mostra reúne trabalhos de Fabio Miguez, Maíra Dietrich, Marcelo Cipis, Marilá Dardot, Monica Barki e Rafael Alonso, e explora a intersecção entre pintura e escrita, tensionando imagem e texto em poéticas verbo-visuais singulares, que remetem à visualidade vernacular e cotidiana.
Na visão de Marcelo Cipis, a importância de usar a palavra na imagem é aproximar o espectador da arte.
“Acho que o texto é uma linguagem mais conhecida do que a linguagem visual. Muitas pessoas olham um quadro e falam que não o entendem, e não é uma questão de entender, é uma questão de sentir. Ao usar aspectos do dia a dia em uma pintura, pode ficar mais fácil de o público entender e absorver somente os elementos intrínsecos da pintura, que são a cor, forma, linha, textura e matéria”, afirma o artista em entrevista à CNN.
“O texto e o humor são aspectos que podem seduzir bastante, assim como a figura”, completa. Na exposição, Cipis inclui em seus desenhos e pinturas, de forma bem-humorada, legendas non-sense para cenas non-sense, integrando palavras às figuras, indicando que escrever é, literalmente, desenhar.
“Diferencio dois tipos de arte: a funny art e a boring art. A funny não se leva tão a sério, permite que uma visão bem-humorada e feliz pode acontecer como linguagem, em detrimento de você mostrar as misérias, as atrocidades e tudo o que a realidade traz de ruim. A minha tentativa é criar um mundo à parte que seja agradável, já que o nosso mundo é um pouco desagradável. Tento criar um mundo próprio com humor, alegria e beleza”, diz.
As obras de Cipis contam, ainda, com elementos gráficos e visuais que remetem à publicidade impressa, presente na infância e adolescência do artista, e que exerceram influência em sua arte.
“Mas os meus trabalhos têm palavras de uma forma mais subjetiva, diferente da publicidade e das artes gráficas, cujas palavras têm uma função mais objetiva. Gosto de usar isso na pintura porque transforma as palavras em algo mais subjetivo e sem função. Isso desloca do espectador aquela objetividade que tem em um anúncio que quer te vender um produto, e vai para um outro campo que finge que é um produto, mas não é”, conta.
Um exemplo é a obra “Magic Mask”, criada com elementos coloridos e gráficos que remetem à art pop de Andy Warhol. “Eu faço uma ‘art pop’ em que eu crio meu próprio produto”, finaliza.
“Palavra e Gesto”
- Endereço: Casa de Cultura do Parque – Av. Professor Fonseca Rodrigues, 1.300 – Alto de Pinheiros, São Paulo – SP
- Datas e horários: de 2 de agosto a 2 de novembro de 2025, de quarta a domingo, das 11h às 18h
- Valor: gratuito
source https://oficialnoticias.com/2025/08/02/exposicao-em-sp-explora-a-palavra-como-imagem-e-gesto-artistico/
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